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sábado, 23 de novembro de 2013

CRÔNICA: “O Trem”


Ouvimos o trem apitar. O trem apitando durante o dia na cidade de Bananeiras é motivo de curiosidade, mormente para a criançada. Recordamo-nos dos nossos dias do passado, em que, apressadamente, subíamos a ladeira da estação para ouvirmos o “pé de ferro”, fazendo manobras para carregar o algodão da Usina. Era um fato que se repetia com certa freqüência, porém, nunca perdia, para a petizada, o sabor de suas aventuras.

Entretanto os nossos olhos adultos registraram com tristeza um aspecto novo. Não era mais a “Maria Fumaça” que estava ali. Formava ao comboio uma “Diesel”, mas o que lamentamos é que ela não levava produtos da terra. Estava levando de volta os trilhos que não foram assentados, trilhos que Bananeiras recebeu com satisfação, pois representava o coroamento de uma luta comum. Os trilhos serviam para levar o trem até a cidade de Picuí e nossa comuna não mais seria fim de linha, mas centro de importante ramal ferroviário.

A obra de dez anos de luta, onde foram gastos muitos cruzeiros, caros para o povo de toda uma nação, não foi concluída. Hoje se vão os trilhos, amanhã os dormentes, a erosão se encarregará de destruir o leito puro para as “núpcias” impossíveis. Somente o viaduto construído às portas da cidade ficará como testemunho de uma história triste, como prova do mau planejamento e do valor dos projetos no Brasil, aonde somente depois de uma obra quase concluidaé que se chega à conclusão que ela é... Anti-econômica. Por antecipação se conclui que uma estrada aberta para uma das regiões mais ricas do Estado será deficitária.

Como não somos técnicos no assunto, não temos pretensão de continuar na consideração dos aspectos outros da questão. Somos sim, um sentimental e lamentamos que a paisagem do nosso torrão seja modificada quando o trem não mais subir.

Fiquem certos os conterrâneos que isto acontecerá. O plano macabro será executado. Estamos convencidos disto – e quem nos convenceu foi o humilde funcionário da rede, que nos dizia naquela manhã de recordações:

- Doutor, o que lamentamos é que este trem não voltará mais a Bananeiras quando “eles” terminarem de carregar estes trilhos para a cidade de Macau. E, como ficará a situação de tantos funcionários humildes que moram daqui para a cidade de Tacima?!

(Iveraldo Lucena)


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