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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A QUENTE DO DIA: Médica de Campina Grande diz que a Água do açude de Boqueirão está envenenando a população


A médica e pesquisadora Adriana Melo, de Campina Grande, mundialmente conhecida e respeitada por seus estudos sobre a relação entre vírus da zika e microcefalia, disse ontem dia (29) em João Pessoa que fornecer água do açude Epitácio Pessoa, de Boqueirão, para consumo humano, é o mesmo que envenenar a população.
Segundo Adriana Melo, “dar de beber às pessoas a água do Boqueirão é envenenar a população que consome”. Ressaltou que mesmo a água tratada apresenta uma toxidade em padrões lesivos ao organismo humano.
A sua afirmação faz coro com a recomendação de pesquisadores e cientistas do Instituto Butantã e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que em setembro deste ano analisaram a qualidade da água de Boqueirão e igualmente desaconselham o consumo.
A análise da água fez parte de um amplo trabalho de pesquisa para identificar outras possíveis causas da microcefalia e origens ou fontes diversas das doenças disseminados pelo mosquito da dengue.
O estudo foi coordenado pelo Ipesq (Instituto de Pesquisa Professor Joaquim Amorim Neto), que tem sede em Campina Grande, com a participação do Butantã e da UFRJ e apoio da Secretaria Municipal de Saúde daquela cidade.
Adriana Melo, presidente do Ipesq, participou na tarde desta terça-feira de audiência pública na Assembleia Legislativa sobre a calamidade da seca no interior da Paraíba e suas consequências. Uma das mais graves é o esgotamento do açude Epitácio Pessoa e o uso da água que resta em Boqueirão (cerca de 5% da capacidade total) para abastecer a população de Campina e de mais 18 municípios do Compartimento da Borborema.
A audiência pública foi proposta pela deputada Daniella Ribeiro (PP), que tem dedicado boa parte de sua atuação à crise hídrica na sua cidade de origem e região. Mônica Lopes, do Butantã, apresentou o resultado de análise da água de Boqueirão: toxinas em profusão que quando não matam peixe impedem sua reprodução. Ela disse ainda que a água do Hospital Pedro I, de Campina Grande, também não deve ser consumida.
Fabiano Thompson, professor da UFRJ, na mesma linha de exposição de Adriana e Mônica afirmou que jamais daria água de Boqueirão para um filho seu beber. Ele fez parte do grupo de pesquisa que coletou e examinou amostras de água também dos açudes de Araçagi e Cacimba de Dentro, que da mesma forma estariam com a sua potabilidade comprometida.
João Mota, diretor de Operações da Cagepa, presente à audiência pública na Assembleia, rebateu as afirmações dos pesquisadores. Além de lembrar o esforço da empresa, desde 2013, para se preparar para o racionamento (troca de toda a frota de veículos de Campina Grande, de todos os hidrômetros, eliminação de vazamentos etc.), disse que a amostra de água analisada foi de carros-pipa e de poços. João Fernandes, da Aesa (Agência Executiva das Águas), por seu turno, usou argumentos semelhantes para fazer o contraponto e garantiu que a água boa de beber para Campina Grande e região vai chegar. “Porque vai chover, só não sei dizer quando”, disse.

(Rubens Nóbrega e equipe-Jornal da Paraíba)

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